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Ventanias causam mortes de árvores na borda sul da floresta amazônica

Manaus/AM – Um estudo que vem sendo realizado há 30 anos mostrou que ventos muito fortes são a principal causa de morte das árvores localizadas na borda sul da floresta amazônica, que compreende os estados de Mato Grosso e Pará.
E ainda que essa realidade pode ser replicada nos demais estados da região, caso a emissão dos gases de efeito estufa não seja reduzida.

A informação vem de uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade do Estado de Mato Grosso em parceria com as universidades britânicas de Leeds e Oxford, publicada Journal of Ecology no último dia 22 de fevereiro e contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq.

O monitoramento em campo de quase de 15 mil árvores situadas em 50 parcelas de um hectare cada é o que vem sendo feito no projeto ecológico de longa duração, financiado pelo CNPQ. O acompanhamento feito há quase 30 anos busca descobrir a causa de morte das árvores na região, como explica a coordenadora do estudo professora Beatriz Marimon.

Os pesquisadores observaram que o fenômeno registrado na borda sul da floresta pode acontecer em toda Amazônia, caso a redução das emissões de gases de efeito estufa não seja alcançada e a degradação ambiental provocada por ação humana continue, revelou Beatriz, apontando também os impactos das mudanças climáticas sobre a vegetação e as espécies.

Marimon destaca que a morte da maioria das árvores observadas no estudo foi causada pela queda total ou parcial da copa, o que impede a fotossíntese, e do tronco e em ambas as situações, as ventanias atípicas foram as responsáveis por esses danos.

Para a especialista, além dos eventos climáticos extremos, pastagens improdutivas, queimadas e desmatamento estão entre os fatores que afetam os dois maiores biomas brasileiros, a Amazônia e o Cerrado, presentes na borda sul da floresta.

Para buscar reverter esse cenário, a engenheira ambiental defende a conversação da vegetação, inclusive para garantir atividades agropecuárias.

Outro pesquisador autor do artigo, Oliver Phillips, professor de ecologia tropical da Universidade de Leeds, no Reino Unido, lembrou que as áreas de transição são naturalmente mais sensíveis, então já é esperado que elas sejam as primeiras a sentir os efeitos das mudanças climáticas.

O especialista chama a atenção para o fato de que essa borda sul é uma das regiões mais secas, quentes e fragmentadas de toda a América do Sul. “Isso pode nos dar ideias de qual será o futuro das florestas tropicais, incluindo a própria Amazônia”, complementa.

Na conclusão, os autores recomendam a manutenção da vegetação nativa de forma íntegra e intacta como fundamental para evitar o problema, já que as florestas têm o papel relevante na regulação e segurança climática do nosso país.